Queria deixar uma catedral de palavras e dou-me conta que a catedral não tem fim.
Queria arredondar o edifício, fechá-lo, e dou-me conta, desolado,
da impossibilidade desse fecho, dada a inevitável limitação da vida.
Não morrerei satisfeito, morrerei com a dor de não ter tido tempo.
A obra de António Lobo Antunes é uma preciosa chave de leitura da cultura e da sociedade contemporânea portuguesa. É uma obra que ajuda a pensar Portugal, mas não só. Ajuda a repensar a herança do colonialismo ocidental em África, a problematizar o “branqueamento” identitário da boa consciência europeia perante os crimes perpetrados “algures” nos Cus de Judas do mundo que não importam e que a História não registará.
Os romances de António Lobo Antunes, os livros de crónicas, as cartas são peças de uma constelação textual que ajuda a repensar a herança, em termos de memória social, do salazarismo e a redesenhar a relação atual de Portugal com o mundo pós-colonial. Mas são também um desafio para professores e alunos
A obra de Lobo Antunes pertence também ao imenso j’accuse contra os crimes do colonialismo europeu vindo de uma voz do Norte do mundo em que ecoa o grito de condenação que, em poucas décadas, se ergue poderosíssimo da África e dos seus pensadores e artistas. A obra de António Lobo Antunes – não tenho muitas dúvidas sobre isso – será cada vez mais reconhecida nas próximas gerações como o grande arquivo literário do Portugal na transição do século XX para o século XXI com todas as implicações simbólicas que isso comporta. O projeto literário de Lobo Antunes, desde 1979, interroga-nos a nós como contemporâneos dele e continuará a interrogar a portugueses e a não-portugueses do futuro.
Aqui continuaremos a lê-lo e a ensiná-lo.
Não nos cansaremos de aprender consigo, António. E de ensinar consigo.
Milano, 5 de março de 2026
Vincenzo Russo
L’opera di António Lobo Antunes è una preziosa chiave di lettura della cultura e della società portoghese contemporanea. È un’opera che aiuta a riflettere sul Portogallo, ma non solo. Aiuta a ripensare l’eredità del colonialismo occidentale in Africa, a problematizzare il “lavaggio” identitario della buona coscienza europea di fronte ai crimini perpetrati “da qualche parte” in un Culo al Mondo che non conta e che la Storia non registrerà.
I romanzi di António Lobo Antunes, i libri di cronaca, le lettere sono tasselli di una costellazione testuale che aiuta a ripensare l’eredità, in termini di memoria sociale, del salazarismo e a ridisegnare l’attuale relazione del Portogallo con il mondo postcoloniale. Ma sono anche una sfida per insegnanti e studenti.
L’opera di Lobo Antunes appartiene anche all’immenso j’accuse contro i crimini del colonialismo europeo proveniente da una voce del Nord del mondo in cui riecheggia il grido di condanna che, in pochi decenni, si leva potentissimo dall’Africa e dai suoi pensatori e artisti. L’opera di António Lobo Antunes – non ho molti dubbi al riguardo – sarà sempre più riconosciuta dalle prossime generazioni come il grande archivio letterario del Portogallo nella transizione del Portogallo nella transizione dal XX al XXI secolo, con tutte le implicazioni simboliche che ciò comporta. Il progetto letterario di Lobo Antunes, dal 1979, ci interroga come suoi contemporanei e continuerà a interrogare i portoghesi e i non portoghesi del futuro.
Qui continueremo a leggerlo e a insegnarlo.
Non ci stancheremo mai di imparare da te, António. E di insegnare con te.
Milano, 5 marzo 2026
Vincenzo Russo